terça-feira, 19 de outubro de 2010

Vermelho-Sangue


Les reins portent deux mots gravés : Clara Venus ;
- Et tout ce corps remue et tend sa large croupe
Belle hideusement d'un ulcère à l'anus.

Ao avesso de uma dor
Um inebriante torpor
incolor, onde o sonho reina triunfante
Uma figura enigmática, esfíngica, meduséia, insiste
em seguir com seu cortejo infernal no curso do meu sangue
Ai! Salomé desvairada
travestida de uma cor
que é tua.........................................................
VERMELHO
SAN
langGUE criatura
que é minha, minha, na treva da noite quando a hora da angústia soa
VOLÚPIA - um acorde de Bach na Tocata e Fuga em Ré Menor
Sonoro
sussurro
suave
silvo
sacro
sibilante
sinto
saltar
num
sem-fim

Eu ouvi o ressoar de longas horas

De um relógio sem fim.

Não sei em que estrada de tempo

A vida se perdeu,

Só sei que das vagas

(por onde resvalam as horas)

Há o resquício primordial do início-desfecho

De todas as coisas.


Fr
a
g
m e n
to
s

de um Desejo no segundo círculo concêntrico da Terra.........
Culto à Hécate, venerável deusa da noite
de plástico que
escorre cintilante
na baía de Guanabara
Fazei que queime em tuas fráguas essa voluptuosidade
(dis) simulada
num vivo, intenso, e contínuo

ver.....................................
me...............................................
lho
.................................................san
.................guí
(neo)











* Título da tela: "Noite" de Salvador Dalí
Silhueta feminina cadeira vermelha sob um pano. Vermelho, com objetos no telhado

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