Blog do grupo O Decadentismo na Poesia Brasileira idealizado pelo professor Fernando Monteiro de Barros da UERJ-FFP. Este espaço é destinado a todos que amam a Literatura e, sobretudo, a poesia. Bem-vindos e evoé palavra!!!
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Anunciação
sábado, 9 de outubro de 2010
Brujería

Velas acesas, em meio ao cruzeiro
Ele ajoelha-se, o rosto contrito
A conjurar com seus traços riscados
Cabalas sáfaras de um velho rito
A dama loura sai de seu sarcófago
Vai passear no chão do cemitério
Vem sequiosa, qual onça no cio
Na altivez de seu esplendor funéreo
Lábios proferem orações em rima
Tridente em punho, a dama se aproxima
À meia-noite, na hora aprazada
E ele treme, em ondas de desmaio
E cai, como atingido por um raio
E de sua boca sai uma gargalhada
* Quadro: Dante Gabriel Rossetti, "Lady Lilith" (1868)
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Rapsódia

Dentro da noite, em graves rapsódias
Em mim resvalas, a me beber lepidamente
A passear tua pele em minha pele
A desfolhar, suavemente, as minhas pétalas
Sarças de fogo queimam com doçura
A açular os cães que sempre caçam, lestos
No ermo das florestas, prenhes de mugidos
Quanto a mim, enfim sigo sepultado
Entre penumbras, nas garras tremendas
Em suspiros naufrago, e novamente morro
Anjos explodem, caem pelos céus
Faunos gargalham, trocam seus anéis
Centauros trotam, soltos nos abismos
Mármores racham, cerram os mausoléus
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
A palavra nua
Escrevo por linhas indecisas
em folhas feitas de tempo.
O verso tem a força de um sonho.
A dor é profunda como a noite.
O sofrimento é lento e brando.
O meu amor é o amor do mundo.
O meu medo é o medo do mundo.
Dentro, a fome, a falta, o sussurro.
Fora, a fúria, a farsa, o princípio.
E, no meio, a palavra nua.
Matiz
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Luxe

segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Las Vampiresas

A sombra morro-porque-não-morro ilumina
Suas partes escuras não estão assim encovadas
A las vampiresas les amam hacerla sufrir
Por supuesto la sangre vital les faltan
Aunque se le ocurran las películas más raras
O cinematógrafo refazendo a capital imperial
A não acertar em cheio as telhas feridas nas coxas
Porque a cidade se modernizou e não perdeu
A alma apesar do bota-abaixo, resiste
Não foi possível sanear os subterrâneos
Com as deusas e deuses clamando por saciedade
À mesma medida que nascem nos outros a morte
Que não limitam a minha, a tua fome
A lua no cinematógrafo muda em preto e branco
Cada matiz de vermelho de bom gosto
O corpo a pedir mais em nome da legião faminta
De novidades e reencarnação tu regozijas
Ao sabor das cortesãs de sempre.
